Arquivado dez/2009
Bahia investe R$ 900 mil em pesquisa científica para combater a dengue

A prevenção contra a dengue no estado contará com mais um reforço: a pesquisa. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e as fundações congêneres dos outros estados estão recebendo propostas de pesquisadores relacionadas especificamente à dengue, que já é epidêmica em algumas regiões e se tornou um dos maiores problemas de saúde pública enfrentados pelo Brasil.
Promovido em parceria com os ministérios da Saúde (Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos) e Ciência e Tecnologia (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), o edital visa implantar uma rede inter-regional e interdisciplinar de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação, como subprograma temático do Programa de Apoio aos Núcleos de Excelência (Pronex – Rede Dengue).
O edital pretende estimular o intercâmbio entre instituições que concentram competências e otimizar os recursos e o compartilhamento de infraestrutura para a pesquisa. “Essa rede vai impulsionar a pesquisa básica e aplicada à doença, melhorar a capacitação dos recursos humanos e difundir e aplicar os resultados obtidos no sistema de saúde pública”, observou Roberto Paulo Lopes, diretor-geral da Fapesb, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).
“Mais de 100 países convivem com a epidemia da dengue. É um dos grandes desafios da saúde pública no mundo, já que não haverá vacina em curto prazo e o mosquito vem se proliferando em qualquer tipo de água, favorecido pela estrutura urbana, com depósitos de lixo a céu aberto e tanques descobertos”, observou o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla.
Segundo ele, a batalha só será bem-sucedida com mobilização social, como aconteceu em Cuba e em outros países. “Da parte da comunidade científica, é preciso que os grupos de pesquisa estudem melhor a doença para que em cinco a dez anos se alcance uma vacina eficiente. Outras doenças perigosas, como sarampo, rubéola, tétano neonatal, tuberculose, tiveram uma redução no mundo, ao contrário da dengue”, disse.
As propostas devem abordar temas como dinâmica e infecção de controle, fisiopatogenia e preditores moleculares, genéticos e clínicos, diagnóstico, terapêutica e manejo clínico.
Serão aplicados R$ 22,7 milhões em todo o país, sendo R$ 5 milhões oriundos do CNPq, R$ 5 milhões do Fundo Nacional de Saúde e os R$ 12,7 milhões restantes liberados pelas fundações de amparo à pesquisa em três parcelas anuais (2010, 2011 e 2012).
Na Bahia, o Estado, via Fapesb, investirá R$ 900 mil. Os recursos poderão ser aplicados, por exemplo, em equipamentos, bolsas científicas e material bibliográfico. As propostas devem ser inscritas até 11 de janeiro de 2010, através do formulário eletrônico disponível no site http://www.cnpq.br/editais/ct/2009/073.htm.

